Para ter o amor que você quer: um guia para casais
Harville Hendrix, 1988
Por que a paixão parece um reconhecimento, e alguns anos depois a mesma pessoa começa a irritar? Harville Hendrix mostra que escolhemos o parceiro por uma imagem formada na infância e esperamos dele, em segredo, aquilo que nos faltou naquela época. Você vai descobrir como transformar a luta pelo poder numa união consciente: com um diálogo especial, um pedido no lugar da crítica e um cuidado que traz o romance de volta.
Para quem é
Para casais que se amam, mas brigam sempre no mesmo círculo. E para quem sente atração, uma e outra vez, por pessoas parecidas e quer entender por quê.
Ele achava que estava apaixonado por uma pessoa, mas, na verdade, estava apaixonado por uma imagem projetada nessa pessoa.
A pergunta para a qual ele não tinha resposta
Em 1975, Harville Hendrix saiu do fórum, onde tinha acabado de se divorciar, e foi dar uma aula sobre casamento e família. Depois da aula, um aluno que também tinha se divorciado havia pouco se aproximou e perguntou: por que é tão difícil para os casais ficarem juntos? Hendrix respondeu com sinceridade que não sabia. E acrescentou que, pelo jeito, ia passar o resto da vida com essa pergunta.
Dois anos depois, ele conheceu Helen LaKelly Hunt, e os dois passaram a procurar a resposta juntos. Juntos, criaram um método de trabalho com casais que chamaram de Imago, e em 1988 saiu este livro. Nas edições mais recentes, Helen se tornou coautora.
A ideia central do livro soa inesperada. Não escolhemos o parceiro por acaso, nem só pelo gosto. Somos atraídos por alguém que, de algum modo, se parece com quem nos criou, tanto nos traços bons quanto nos difíceis. Nessa escolha se esconde uma tentativa de terminar o que não terminou na infância. Por isso as brigas que parecem o fim do amor, na lógica dos autores, se tornam a sua próxima etapa.
Você vai ver por que a paixão se parece tanto com um reconhecimento, por que depois dela vem a luta e como um casal pode transformar essa luta em crescimento. O livro também tem ferramentas simples: um jeito especial de conversar, um pedido no lugar da crítica e a volta do romance, que começa com uma pequena lista.
“Parece que eu conheço você a vida inteira”
Hendrix percebeu que os apaixonados dizem uns aos outros quase as mesmas palavras e as reduziu a quatro sentimentos. O primeiro é o reconhecimento: “A gente acabou de se conhecer, mas parece que eu conheço você há muito tempo”. O segundo é a sensação de estar fora do tempo: “Não consigo me lembrar de uma época em que você não estava na minha vida”. O terceiro é a reunificação: “Com você eu não me sinto mais só, é como se a parte que faltava tivesse voltado”. O quarto é a necessidade: “Não consigo viver sem você”.
Em geral, essas palavras são tomadas como um sinal do destino. Hendrix as lê de outro modo. Só dá para reconhecer o que já se viu. Se uma pessoa parece próxima desde a primeira noite, é porque ela lembra alguma coisa. O quê, exatamente, o apaixonado em geral não sabe.
Daí também a sensação de inteireza. Na visão do autor, ao lado dessa pessoa é como se voltasse para nós algo perdido há muito tempo: o carinho que faltou ou um traço que tivemos de esconder em nós. Por isso a separação parece insuportável, embora vocês se conheçam há só um mês.
O erro é tomar a força do sentimento por garantia. A força diz o quanto a pessoa coincidiu com alguma coisa dentro de você. Sobre como vai ser a vida a dois daqui a um ano, ela não diz nada. Para entender com o que exatamente essa pessoa coincidiu, Hendrix propõe olhar para a infância.
Sobre o autor
Harville Hendrix é um pesquisador americano das relações de casal e professor. Com a esposa, Helen LaKelly Hunt, criou a terapia Imago, que hoje é usada no trabalho com casais em muitos países.
Todos os livros do autor: Harville Hendrix
Conceitos do livro
- empatia
- Projeção
- Luta pelo poder
- Espelhamento
- Validação
- Hunt: Helen LaKelly Hunt, pesquisadora e ativista social americana, esposa de Hendrix e cocriadora da terapia Imago. Nas edições mais recentes do livro, aparece como coautora.
- Imago: Um conceito de Hendrix, e não um termo científico: uma imagem inconsciente formada pelos traços bons e difíceis de todos que criaram a pessoa. Em latim, imago significa “imagem”.
- Cérebro antigo: Um conceito do modelo de Hendrix, um retrato muito simplificado: as partes antigas do cérebro, responsáveis pela sobrevivência, que não sentem o tempo e mal distinguem o parceiro de um pai ou de uma mãe. Não é anatomia exata.
- Fusionador: Um papel do modelo de Hendrix: o parceiro que precisa de mais proximidade e que corre atrás do outro. Não é um diagnóstico nem um tipo de personalidade.
- Isolador: Um papel do modelo de Hendrix: o parceiro que precisa de mais espaço e que recua quando é perseguido. Não é um diagnóstico nem um tipo de personalidade.
- Eu perdido: Um conceito de Hendrix: os traços e sentimentos que a pessoa teve de reprimir na infância para ser aceita.
- Falso eu: Um conceito de Hendrix: a máscara que a pessoa construiu para se proteger e agradar aos outros.
- Eu renegado: Um conceito de Hendrix: os traços desagradáveis que a pessoa tem, mas que não reconhece em si.
- União consciente: Um conceito de Hendrix: uma relação em que os dois entendem as suas expectativas de infância e se ajudam conscientemente, em vez de exigir às cegas.
- Pedido de mudança de comportamento: Uma ferramenta do livro: a queixa se transforma num pedido concreto e possível, por um prazo limitado, que o parceiro pode atender como um presente.
Todos os conceitos
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