O jeito Harvard de ser feliz
Shawn Achor, 2010
Estamos acostumados a pensar que a felicidade vem depois do sucesso. O pesquisador de Harvard Shawn Achor mostra que é tudo ao contrário: um cérebro positivo funciona melhor, e isso quer dizer que a felicidade está no começo do caminho. Os sete princípios do livro explicam como treinar o olhar, atravessar um fracasso e consolidar hábitos úteis.
Para quem é
Para quem adia a alegria até o próximo sucesso e se cansa dessa corrida. E para todos que querem trabalhar melhor sem espremer as últimas forças.
A felicidade não está em acreditar que não precisamos mudar, mas em perceber que podemos.
Quem aqui gosta de fazer a lição de casa?
África do Sul, uma escola em Soweto, perto de bairros onde não há eletricidade e quase não há água encanada. O pesquisador americano Shawn Achor pergunta às crianças, de brincadeira, quem ali gosta de fazer a lição de casa. Ele espera risadas. Em vez disso, quase todas levantam a mão e sorriem. O acompanhante explica: para essas crianças, estudar é um privilégio que os pais delas não tiveram.
Achor voltou a Harvard e passou a ver os seus alunos de outro jeito. Muitos deles tinham entrado num dos melhores lugares do mundo e, mesmo assim, viviam sob estresse constante por causa das notas, da concorrência e da montanha de tarefas. Quem se saía melhor eram os que continuavam a ver os estudos como um presente, e não como um fardo.
Achor estudou por muitos anos o bem-estar dos alunos de Harvard e depois passou a contar a funcionários de grandes empresas aquilo de que trata a psicologia positiva. Assim nasceu este livro. A sua ideia principal vira de cabeça para baixo a fórmula de costume. Pensamos: “Primeiro vou alcançar o sucesso, depois vou ser feliz.” Achor acredita que funciona a ordem inversa: a felicidade e o bom humor ajudam o cérebro a funcionar melhor, e o sucesso vem com mais facilidade.
A seguir vêm sete princípios que ele tirou das pesquisas e do seu trabalho. Cada um explica como a coisa funciona e o que dá para fazer já nesta semana.
A felicidade está no começo do caminho, e não no fim
Imagine a Olya. Ela promete a si mesma: “Quando eu for promovida, aí eu respiro.” A promoção vem, a alegria dura uma semana, depois aparece uma nova meta, e a felicidade volta a sumir no horizonte. Achor diz que muita gente vive assim: a régua do sucesso vai sempre se afastando, e a pessoa nunca chega à felicidade prometida.
Ele propõe inverter a fórmula e cita um experimento com médicos. Eles receberam um caso difícil de um paciente para analisar, e metade deles ganhou antes um saquinho de balas. Os médicos que tiveram o humor melhorado chegaram mais depressa ao diagnóstico certo e se apegaram menos ao primeiro palpite.
Achor se apoia na teoria da psicóloga Barbara Fredrickson. Segundo ela, as emoções positivas não são só agradáveis: elas ampliam o leque de pensamentos e ações que a pessoa enxerga. O estresse, ao contrário, estreita a atenção até uma única ameaça.
Daí vem uma conclusão prática: não é preciso adiar a alegria até a vitória. Achor propõe maneiras simples de acrescentá-la. Dá para ter algo agradável pela frente, fazer uma gentileza a alguém ou se movimentar. Dá para gastar dinheiro com uma experiência, e não com um objeto. Isso não é perda de tempo, mas um investimento no modo como a cabeça vai funcionar.
Sobre o autor
Shawn Achor, pesquisador americano da felicidade e do sucesso, trabalhou por muitos anos com estudantes de Harvard. Fundou a consultoria GoodThink e fala sobre psicologia positiva para funcionários de empresas no mundo inteiro.
Todos os livros do autor: Shawn Achor
Conceitos do livro
- Ponto de apoio
- Seligman
- Crescimento pós-traumático
- Vocação
- Força de vontade
- Soweto: Um grande bairro no sudoeste de Joanesburgo, na África do Sul. Achor deu uma palestra ali numa escola perto de bairros pobres.
- Psicologia positiva: Uma linha da psicologia que estuda o que ajuda as pessoas a viver bem e a agir com toda a sua força, e não só o que as quebra.
- Fredrickson: Barbara Fredrickson, psicóloga americana. Pela sua teoria, as emoções positivas ampliam o leque de pensamentos e ações que a pessoa enxerga.
- Arquimedes: Matemático e inventor da Grécia antiga, de Siracusa. A ele se atribuem as palavras sobre o ponto de apoio com o qual se poderia mover o mundo.
- Langer: Ellen Langer, psicóloga de Harvard. Conhecida por experimentos que mostraram como atitudes e expectativas influenciam a saúde e o comportamento.
- Tetris: Um jogo de computador em que peças que caem são encaixadas em fileiras certinhas. Achor chama de efeito Tetris o hábito do cérebro de procurar em toda parte aquilo para que foi treinado.
- Wiseman: Richard Wiseman, psicólogo britânico. Estudou em que as pessoas que se consideram sortudas diferem das que se consideram azaradas.
- Contrafato: Uma versão imaginária dos acontecimentos com a qual o cérebro compara o que de fato aconteceu. É a palavra que Achor usa.
- ABCDE: Um esquema para lidar com os pensamentos depois de um contratempo: o acontecimento, a crença sobre ele, as consequências, a contestação da crença e o ânimo renovado. Achor o apresenta como uma maneira de encontrar o caminho para cima.
- Zorro: O herói espadachim mascarado de livros e filmes de aventura. Achor usa uma cena do filme “A máscara do Zorro”, de 1998.
- Diego: Dom Diego, o velho Zorro do filme “A máscara do Zorro”. Ele prepara um sucessor.
- Alejandro: O jovem aprendiz de Dom Diego no filme “A máscara do Zorro”, o futuro novo Zorro.
- Regra dos vinte segundos: Um recurso do livro: deixar o que é útil vinte segundos mais perto, e o que é prejudicial, vinte segundos mais longe.
- Caminho de menor resistência: A escolha daquilo que exige menos esforço. Achor acredita que é justamente esse o caminho que o cérebro escolhe com mais frequência.
- Diener: Ed Diener, psicólogo americano, um dos pesquisadores da felicidade mais conhecidos.
- Vaillant: George Vaillant, psiquiatra americano. Por muitos anos dirigiu o Estudo Grant, que acompanhou a vida de ex-alunos de Harvard.
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