Projeto felicidade
Gretchen Rubin, 2009
Os dias são longos, mas os anos são curtos. Um dia, num ônibus da cidade, Gretchen Rubin percebeu isso e decidiu dedicar um ano à própria felicidade: doze meses, doze temas e uma tabela com marcações para cada noite. Aqui, o método dela é explicado passo a passo: como transformar um vago “quero ser mais feliz” em promessas concretas e o que do ano dela dá para repetir na sua vida já nesta semana.
Para quem é
Para quem tem uma vida em que, aparentemente, está tudo em ordem, mas há menos alegria do que se gostaria. E para quem quer ser mais feliz sem mudar de emprego, de cidade ou de família.
Os dias são longos, mas os anos são curtos.
A chuva na janela do ônibus e uma pergunta que esperava havia muito tempo
Um dia de chuva, um ônibus da cidade, o vidro molhado. Gretchen Rubin atravessa Nova York olhando pela janela. Nada de ruim aconteceu: ela tem um marido que ama, duas filhas e um trabalho que ela mesma escolheu. E de repente um pensamento a alcança: os dias são longos, mas os anos são curtos. O tempo está passando, e falta atenção para o que realmente importa.
Rubin não era infeliz. Ela já tinha trabalhado como advogada e tinha chegado até a ser assistente da juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Sandra Day O'Connor; depois, deixou o direito e passou a escrever livros. Mas naquele dia ela se perguntou o que queria da vida e respondeu de forma simples: ser mais feliz. Logo em seguida, percebeu que quase nunca tinha pensado no que exatamente a fazia feliz.
Assim nasceu o seu projeto. Um ano e doze meses, cada um com o seu tema: energia, casamento, trabalho, filhos, diversão, amigos, dinheiro e assim por diante. Para cada mês, algumas promessas concretas a si mesma e uma tabela em que, toda noite, se faz uma marcação. Nada de viagens longas nem de mudanças bruscas: o mesmo apartamento, a mesma família, o mesmo trabalho.
Daí vem a pergunta que faz valer a pena seguir lendo: como ser mais feliz sem virar a sua vida de cabeça para baixo? Você vai ver como Rubin montou o seu ano, quais promessas funcionaram, onde ela tropeçou e o que disso dá para levar já nesta semana. Vamos começar por onde ela começou: pelo plano.
O vago “quero ser mais feliz” vira uma lista de tarefas
A principal dificuldade com a felicidade é que ela é vaga demais. “Ser mais feliz” soa como uma previsão do tempo: a gente quer sol, mas não sabe o que fazer. Por isso, Rubin começou desmontando esse desejo em partes.
A primeira fórmula recebeu dela o nome de “Primeira Esplêndida Verdade” e diz o seguinte: para ser mais feliz, é preciso pensar no que faz bem, no que faz mal e no que é certo, tudo isso numa atmosfera de crescimento. Em termos simples, a felicidade tem quatro alavancas. Acrescentar o que alegra. Tirar o que irrita, cansa e provoca culpa. Fazer o que você considera certo para a sua vida. E sentir que está avançando e aprendendo coisas novas.
Depois, o vago vira concreto. Não “cuidar mais da saúde”, mas “ir dormir mais cedo”. Não “ser uma boa esposa”, mas “parar de ficar no pé do marido”. Rubin formulava cada promessa de modo que, à noite, desse para responder com honestidade: cumpri ou não cumpri.
Por que isso é tão importante? Uma meta vaga não diz nada sobre a noite de hoje, e é fácil deixá-la para depois. Uma promessa concreta diz o que fazer agora mesmo, e por ela se vê se foi cumprida ou não. A diferença é como a que existe entre as palavras “um dia ir à praia” e uma passagem comprada, com data.
Para isso, ela criou uma tabela, como Benjamin Franklin um dia manteve uma tabela das suas virtudes. Linhas com as promessas, colunas com os dias, sinais de certo e de xis. A tabela funcionava como o espelho do hall de entrada: não dá para passar por ele sem se ver, e fica difícil se enganar.
Ao lado da tabela surgiu uma lista curta de regras para a vida inteira, os Doze Mandamentos. O primeiro soa quase como uma piada: “Ser Gretchen”. Os outros também são curtos: “Deixar ir”, “Agir como quero me sentir”, “Fazer agora”, “Aproveitar o processo”. Um mandamento assim funciona como uma dica num momento difícil, quando não há tempo para pensar muito.
Como repetir isso na sua vida:
• Escolha um tema. Uma área da vida por mês: o sono, o dinheiro, os amigos ou o trabalho. Não tudo de uma vez.
• Escreva as promessas como ações. Promessas às quais, à noite, dá para responder “sim” ou “não”.
• Faça uma marcação toda noite. Um sinal de certo ou um xis, e amanhã, uma nova tentativa.
Sobre o autor
Gretchen Rubin é uma escritora americana, nascida em 1965. Antes da literatura, trabalhou como advogada, e depois do “Projeto felicidade” escreveu mais alguns livros sobre felicidade e hábitos.
Todos os livros do autor: Gretchen Rubin
Conceitos do livro
- Franklin
- O'Connor
- Primeira Esplêndida Verdade: A fórmula da felicidade que Rubin elaborou para si: pensar no que faz bem, no que faz mal e no que é certo, numa atmosfera de crescimento. Um termo da autora, e não um termo científico.
- Doze Mandamentos: Uma lista pessoal de regras curtas que Rubin montou para si durante o projeto, por exemplo “Ser Gretchen” e “Fazer agora”. Uma descoberta da autora, e não uma doutrina.
- Regra de um minuto: A regra de Rubin: tudo o que leva menos de um minuto é feito na hora, sem adiar.
- Arrumação noturna: A regra de Rubin: dez minutos antes de dormir para pôr a casa em ordem.
- Jamie: O marido de Gretchen Rubin. No livro, ele é o personagem principal de fevereiro, o mês do casamento.
- Estrelinhas douradas: Uma imagem do livro: o desejo de que cada boa ação seja notada e elogiada, como na escola, onde se cola uma estrela por um bom trabalho. Uma imagem da autora, e não um termo.
- Provas de amor: Uma das promessas de fevereiro de Rubin: pequenos gestos de atenção a uma pessoa próxima, como um abraço, a palavra “te amo” ou uma mensagem carinhosa.
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