Identidade de carreira: a experiência é a chave para reinventá-la
Herminia Ibarra, 2003
Por que um ano pensando em uma nova profissão muitas vezes não produz nenhuma alternativa? Herminia Ibarra acompanhou durante vários anos pessoas que mudavam de carreira e percebeu que, nos casos bem-sucedidos, a compreensão vinha depois da ação, não antes. Você vai descobrir como fazer pequenas experiências sem abandonar o que já tem, quem ajuda ou dificulta a mudança e como atravessar a parte desconfortável do caminho.
Para quem é
Para quem já não encontra alegria no trabalho e na vida de antes, mas ainda não enxerga algo novo. E para quem pensa há muito em mudar, sem conseguir decidir por onde começar.
Só por meio das nossas ações descobrimos quem queremos nos tornar.
Um ano de buscas sem encontrar uma saída
Depois da escola de negócios, Gary McCarthy entrou quase por acaso em uma empresa respeitada e considerou aquilo temporário. Esperava encontrar sua verdadeira vocação. Mais tarde, várias coisas se concentraram em uma fase da vida: um aniversário marcante, mudanças pessoais e a primeira avaliação negativa de seu trabalho. Gary decidiu que era hora de mudar e se dedicou à tarefa com cuidado. Fez testes de aptidão profissional, conversou com headhunters, amigos e familiares, estudou setores e montou duas listas de possibilidades. Passou um ano. Nenhuma alternativa real apareceu.
Herminia Ibarra pesquisa como as pessoas mudam de trabalho e a si mesmas. Sua área é o comportamento organizacional, que estuda como as pessoas pensam e agem no trabalho. Lecionou na Harvard Business School e no INSEAD. Para este livro, acompanhou durante vários anos pessoas que decidiram fazer uma grande mudança. Entre elas estavam um psiquiatra que se tornou monge budista, um professor de literatura que virou corretor de valores e um executivo de tecnologia que passou a trabalhar como coach de executivos.
Sua principal conclusão inverte o conselho habitual. Dizem a nós: primeiro entenda o que quer, depois aja. Ibarra observou o contrário. Para quem conseguiu mudar, a ação veio primeiro; a compreensão veio depois. Você descobre quem pode se tornar nas experiências, não apenas pensando.
O livro fala de trabalho, mas também de uma sensação familiar: o antigo já não traz alegria, e o novo ainda não aparece. Você vai descobrir por que longas reflexões mantêm a pessoa parada, como fazer pequenas experiências, quem ajuda ou dificulta a mudança sem perceber e por que o caminho entre o antigo e o novo eu é sinuoso. Também vai descobrir como terminou a história de Gary.
Quanto mais cuidadoso o plano, mais tempo no mesmo lugar
Ibarra chama o que Gary fazia de modelo “planeje e aja”. Ele tem três passos. Primeiro, conheça a si: faça testes e examine seu temperamento, seus valores e suas capacidades. Depois, consulte pessoas em quem confia. Por fim, dê um passo decisivo que resolva todos os problemas de uma vez. Parece razoável, e é justamente o que ensina a maioria dos conselhos sobre mudança de carreira.
Ibarra viu esse modelo falhar repetidas vezes. Sua explicação é simples: uma longa autoanálise fica facilmente presa aos sonhos. A pessoa se examina cada vez mais fundo, mas o sonho nunca encontra a vida real. As respostas não aumentam; só cresce o cansaço da busca.
Há uma segunda armadilha. Enquanto você pensa, o mundo continua vendo a pessoa que era antes. Gary admitiu que queria fazer algo diferente e percebeu, com horror, que já haviam lhe dado um rótulo. Todas as possibilidades oferecidas eram variações do seu antigo trabalho. Até suas duas listas eram reveladoras: uma continha profissões completamente diferentes; a outra, o mesmo trabalho com pequenas mudanças. No papel, ele nunca conseguiu escolher entre elas.
O erro não está em pensar. Está na certeza de que a resposta correta já existe em algum lugar dentro de você e só precisa ser encontrada. Ibarra considera que essa resposta pronta não existe. É preciso construí-la.
Sobre o autor
Herminia Ibarra é professora de comportamento organizacional na London Business School. Nasceu em Cuba, lecionou na Harvard Business School e no INSEAD e pesquisa transições de carreira e liderança.
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