O fator mãe: a mãe que você teve e o que fazer com isso agora
Henry Cloud, John Townsend, 1996
Faz tempo que você não tem mais dez anos, mas uma ligação da sua mãe ainda estraga o dia. Os psicólogos clínicos Cloud e Townsend mostram o que toda pessoa precisa receber da mãe e como a falta disso aparece no amor e no trabalho. Aqui não há caça aos culpados: você vai descobrir onde buscar o que faltou e como conviver com a mãe que você tem.
Para quem é
Para quem, depois de falar com a mãe, volta a se sentir uma criança culpada. E para quem percebe que, no amor e no trabalho, algo muito antigo se repete.
Não dá para voltar a 1950, 1960, 1970 ou mesmo a ontem para resolver as coisas com a sua mãe. Mas dá para resolvê-las, porque, goste você ou não, ela vive com você todos os dias, no presente.
Noventa minutos com a mãe
Beth desliga o telefone depois de noventa minutos de conversa. Ela tinha dito à mãe que a família passaria as férias no Grand Canyon e que tentaria visitá-la da próxima vez. A mãe respondeu: “Não precisa. Tenho certeza de que da próxima vez você também vai estar ocupada demais para mim”. Beth ama a mãe e, mais uma vez, não entende quem ela mesma é: uma filha ingrata ou alguém de quem se espera demais.
Também acontece de a mãe não estar por perto e, mesmo assim, estar ali. Debbie perguntou ao marido se ele tinha trocado o óleo do carro. Jim gritou: “Você acha que eu sou idiota?” A mãe dele, uma mulher dominadora, nunca tinha confiado nele. Debbie é bem diferente, e foi por isso que ele se apaixonou por ela, mas, quanto mais próximos ficavam, mais ele via a mãe na esposa. Isso tem nome: transferência. Os sentimentos por uma pessoa do passado acabam recaindo sobre quem está ao lado.
Henry Cloud e John Townsend, psicólogos clínicos, escrevem como cristãos praticantes, e a fé também faz parte dos seus argumentos. A ideia central deles é que o que aprendemos junto da mãe influencia profundamente toda a vida adulta. Chamam de mãe quem ocupou esse papel, uma avó, por exemplo.
O livro não procura culpados. Para os autores, não existe essa divisão entre “criança boa” e “mãe má”. Pela frente estão seis tipos de mãe. Trata-se de um esquema dos autores, não de um diagnóstico. E, o mais importante, o livro diz o que fazer agora, quando a infância já acabou.
A casa onde a mãe estava, mas não há nada para lembrar
Keith cresceu numa casa grande e escura. A mãe não o maltratava: trabalhava, fazia o jantar, às vezes passava horas deitada na cama. Mas ele não conseguia se lembrar de uma única conversa com ela. Adulto, era talentoso e sociável, mas as namoradas sentiam que ele não precisava delas. Depois de uma série de rompimentos e de uma depressão grave, ele contou a Cloud sobre a própria infância e perguntou: “Será que é por isso que meus relacionamentos não dão certo?”
No livro, uma mãe assim tem nome: mãe fantasma. Ela está ao lado, mas emocionalmente não está. E a criança precisa de segurança, cuidado, confiança, da sensação de ser querida e de alguém para amar. Os autores comparam a capacidade de intimidade à montagem de um carro: ele só vai andar em 1996 se os cilindros tiverem sido instalados em 1960. Ou a peça foi instalada, ou não foi. Se não foi, ela terá de ser instalada agora.
Não dá para pedir à mãe que comece de novo. Essa peça se instala onde deixou de ser instalada: nos relacionamentos. Val juntou em casa uma biblioteca inteira de autoajuda, mas, quando Townsend perguntou o que mais a tinha ajudado, respondeu: “Relacionamentos, relacionamentos, relacionamentos”.
Você precisa de pessoas de confiança, calorosas, honestas e que não se impõem. Os autores comparam alguém assim a um espantalho: ele fica ali de braços abertos, não corre atrás de ninguém, e os corvos pousam na cabeça dele por conta própria. Almoços com amigos não bastam: conte a alguém o que se passa dentro de você, e não só como vão as coisas.
Sobre o autor
Henry Cloud e John Townsend são psicólogos clínicos americanos e autores de livros cristãos. Juntos, escreveram “Boundaries”, um conhecido livro sobre limites pessoais.
Todos os livros do autor: Henry Cloud, John Townsend
Conceitos do livro
- Jim
- Transferência
- Stephanie
- Janet
- Dan
- Mark
- American Express
- Beth: Personagem do primeiro capítulo do livro, uma mãe que trabalha fora e não consegue dizer não à própria mãe sem se sentir culpada.
- Grand Canyon: Enorme desfiladeiro no sudoeste dos Estados Unidos, um dos destinos de viagem mais famosos do país.
- Debbie: Personagem do livro, esposa de Jim. Uma pergunta tranquila dela sobre o carro provocou nele um acesso de fúria.
- Keith: Cliente de Cloud. Cresceu com uma mãe que estava em casa, mas emocionalmente ausente.
- Mãe fantasma: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: a mãe distante e emocionalmente indisponível.
- Val: Cliente de Townsend. Dizia ser a rainha da autoajuda, até entender que não precisava de informações, e sim de relacionamentos.
- Pessoas de confiança: Expressão dos autores: pessoas calorosas, honestas e que não se impõem, capazes de dar o que faltou na infância.
- Vicki: Cliente de Townsend, filha de Stephanie. Cresceu com uma mãe que não suportava os sentimentos dela.
- Mãe de porcelana: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: a mãe amorosa, mas frágil, que não dá conta dos sentimentos fortes do filho.
- Contenção: O trabalho da mãe na descrição dos autores: acolher os sentimentos que a criança não consegue suportar, segurá-los e devolvê-los aos poucos, para que ela aprenda a lidar com eles.
- Mãe controladora: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: a mãe que tem dificuldade de aceitar que o filho é uma pessoa separada dela.
- Corinne: Personagem do livro, uma mulher de vinte e oito anos que sempre concordava com todos e, no grupo de apoio, discordou em voz alta pela primeira vez.
- Mãe do troféu: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: a mãe que ama no filho o ideal e os sucessos dele.
- Éden: O jardim do paraíso no Livro do Gênesis. Segundo o relato bíblico, os seres humanos foram expulsos de lá, e querubins com uma espada de fogo guardam o caminho de volta.
- Cliff: Cliente de Cloud, um pastor que confessou ao grupo sua dependência e sentiu pela primeira vez que o amor não exige perfeição.
- Ashley: Amiga de um dos autores, que decorou um quarto para a visita da mãe e sofreu muito com a insatisfação dela.
- Mãe chefe: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: a mãe que trata até o filho adulto como subordinado.
- Mãe cartão de crédito: Tipo do esquema dos autores, não um diagnóstico: no original, a mãe American Express, aquela de quem o adulto nunca saiu de verdade e de quem ainda depende.
- Kevin: Personagem do livro, um marido que não impôs limites à mãe, depois fez da esposa uma mãe e acabou deixando a esposa.
- Regina: Personagem do livro. Não conseguia perdoar a rejeição da mãe até perceber que ela mesma não aceitava a mãe.
- Stan: Amigo de um dos autores, um empresário de trinta e cinco anos que desprezou a mãe durante anos e depois fez amizade com ela.
- Patricia: Amiga próxima de um dos autores, que queria se aproximar da mãe em estado terminal.
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