Você Intraempreendedor: Monetize suas habilidades, crie várias fontes de renda e tenha sucesso
Dorie Clark, 2017
Dá para ter nome na sua área e ainda assim viver de um salário só. Dorie Clark, demitida de um jornal um dia antes do 11 de setembro, montou uma renda com sete fontes e entrevistou pessoas que percorreram um caminho parecido. Aqui você descobre em que ordem construir essa renda: primeiro a confiança, depois a coragem de dizer um preço, depois o teste de cada ideia nova com um passo pequeno.
Para quem é
Para quem conhece bem o próprio ofício, mas vive de um salário só ou vende apenas as próprias horas. E para quem pensa há tempos em coaching, num curso ou num podcast, mas não sabe por onde começar nem como cobrar por isso.
Entrei no setor exatamente quando começava o seu declínio inevitável, mas na época eu não enxergava isso.
Demitida um dia antes do 11 de setembro
Em 2000, Dorie Clark começou a trabalhar num semanário de Boston e tinha certeza de que seria jornalista a vida inteira. Os jornais viviam então de um dinheiro farto de publicidade, e a internet parecia algo tão pequeno que um único computador conectado bastava para a redação inteira. Em 10 de setembro de 2001, Clark foi demitida. No dia seguinte vieram os atentados de 11 de setembro, e encontrar outro emprego no jornalismo ficou quase impossível.
Ela se virou com trabalhos de freelancer, depois foi assessora de imprensa em campanhas eleitorais, uma para governador e outra para presidente, e mais tarde abriu o próprio negócio. Daquele outono ela tirou a conclusão que sustenta o livro inteiro: a renda que vem de um único empregador só parece segura.
Talvez você conheça uma situação parecida. Você domina o seu ofício, os colegas te valorizam, mas o dinheiro vem de um lugar só, e o que você vende são basicamente as suas horas. E a ideia de um curso, de consultas ou de um podcast próprio esbarra em duas perguntas: por onde começar e como, afinal, cobrar por isso.
Clark, que tinha sido jornalista, encarou essas perguntas como uma reportagem investigativa. Entrevistou coaches, consultores, apresentadores de podcast e criadores de cursos online que ganham dinheiro com o que sabem e testou os métodos deles em si mesma. Segundo ela, em 2016 esses métodos somaram 193 mil dólares à sua renda em relação ao ano anterior.
O livro saiu em 2017. A ideia central é que o conhecimento pode virar várias fontes de renda, mas numa ordem certa: primeiro conquistar a confiança, depois ter coragem de dizer um preço, depois testar o novo com passos pequenos. A seguir você vai ver como essa ordem funcionou para as pessoas do livro e onde ela falha.
Um salário só é como uma ação só
Pouca gente guarda todas as economias em ações de uma única empresa: se ela quebrar, vai tudo embora. Essa regra é conhecida até por quem nunca comprou uma ação. Mas é exatamente assim que a maioria guarda a própria renda: um salário, um chefe, um setor.
Clark considera isso um hábito perigoso. Se você vive de um único salário de um único empregador, escreve ela, talvez esteja procurando encrenca. A história dela mesma provou isso: o jornal que parecia seguro dispensou Clark de um dia para o outro, e ela não tinha nenhuma fonte de reserva.
Daí vem o termo principal do livro: carreira de portfólio. É um trabalho formado por várias fontes de renda que se apoiam umas nas outras. Quando o livro saiu, Clark tinha sete fontes de renda: livros, palestras, aulas numa escola de negócios, consultoria, coaching de executivos, cursos online e marketing de afiliados, ou seja, recomendar produtos de outras pessoas em troca de uma porcentagem. Se um fluxo cai, os outros seguram.
O modo como Clark encara o risco é importante. Costumamos achar que o emprego com carteira é seguro e que o negócio próprio é perigoso. Ela propõe ver o empreendedorismo como uma apólice de seguro para a carreira. Arriscado mesmo é depender de uma decisão de um único chefe.
Há também um motivo financeiro. Clark observa que é muito difícil ganhar grandes somas só cobrando por serviço, ou seja, vendendo horas: a semana tem as mesmas horas para todo mundo. Um curso ou um livro é vendido para muita gente de uma vez, e o teto é mais alto.
Traduzindo a ideia de Clark em passos, fica assim:
• Calcule as fatias. Anote de onde veio o seu dinheiro no último ano e veja quanto dele vem da fonte principal.
• Procure uma nova forma para o mesmo conhecimento. Os livros, as palestras, os cursos e as consultorias de Clark tratam do mesmo tema; o que muda é só a maneira de vendê-lo.
• Não largue o seu pilar. O fluxo novo cresce ao lado do trabalho principal, e não no lugar dele.
Um erro comum: entender o portfólio como um convite para abraçar tudo de uma vez. As sete fontes de Clark surgiram ao longo de anos, e cada uma se apoiou na anterior. O próximo capítulo mostra em quê.
Sobre o autor
Consultora americana de estratégia de marketing e coach de negócios, Dorie Clark leciona na Fuqua School of Business, da Universidade Duke. Também escreveu os livros “Reinventing You” e “The Long Game”.
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